Engenheiros da Google dizem que implantar o IPv6 é fácil e barato

Seguindo a linha de esvaziar minha gaveta e publicar os textos da disciplina que já se findou, segue segue agora uma discussão sobre um texto publicado no final de Março/2009 a respeito do Google e do IPv6.

O texto “Google Engineers Say IPv6 Is Easy, Not Expensive“, publicado no site NetworkWorld[1] e que foi referenciado pelo CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil)[2], em seu site do grupo de pesquisas sobre a próxima versão do protocolo IP[3], via Slashdot[4]; os engenheiros do Google afirmaram, durante um painel de discussão realizado na reunião da Internet Engineering Task Force (IETF), que a implantação do IPv6 não custou caro e que apenas uma pequena equipe de desenvolvedores foi suficiente para habilitar o suporte ao IPv6 em todas as aplicações da companhia e desde então, o Google já é capaz de oferecer todos os seus serviços sobre IPv6 (a partir de http://ipv6.google.com – para quem já está com esta tecnologia em sua rede). Maiores informações sobre o projeto pode ser obtida diretamente com eles a partir da página http://www.google.com/intl/en/ipv6/ ou entrar em contato através do e-mail google-ipv6@google.com.

O protocolo IPv6 que deverá substituir o atual IPv4 foi concebido pelo IETF em 1995 e é amparado por várias RFC (Request For Comments)[5] que são os “textos padronizadores dos protocolos de rede”. Segundo outro texto[6] publicado no site CGI, desde o início da década de 90 sabe-se que os endereços IPv4 estão se acabando, mas ainda não acabou graças a implementação de recursos como NAT (RFC 1918) que possibilita centenas e até milhares de máquinas usarem endereços IP inválidos compartilhando um único endereço IP válido e também do DHCP (RFC 2131) que permite a alocação dinâmica de endereços IP, evitando assim que um endereço permaneça “preso” à uma determinada máquina que encontra-se desligada, por exemplo.

O que se sabe é que em dado momento o NAT e o DHCP não darão mais conta do trabalho e a partir daí a Internet estaria com os dias contados. Para efeito elucidativo o CGI.BR estima que os endereços IP no Brasil devem acabar em algum momento entre 2012 e 2014[7]. Devido a isso muito tem sido discutido e comentado a respeito da famigerada migração, entretanto até hoje ainda encontra-se no mercado equipamentos que não suportam este protocolo.

Os sistemas operacionais como Windows XP e Vista, Linux (kernel 2.4 e mais recentes) e Mac OS X[8], são exemplos de sistemas prontos e que suportam o novo protocolo caso haja necessidade de uma “migração emergencial”, mas quanto ao hardware, nós encontramos ainda em produção diversos equipamentos, principalmente relacionados à redes Wireless, como por exemplo os equipamentos da empresa D-LINK e outras, sem suporte a este protocolo. Conforme consta na apresentação[9] feita por esta companhia no “Global IPv6 Summit 2008 Taipei“, somente após 2010 é que seus produtos terão pleno suporte ao novo protocolo.

Como o protocolo IP encontra-se na camada 3 do modelo ISO/OSI[10] supõe-se que é implementado totalmente via software e sendo assim talvez uma atualização de firmware resolva o problema, mas esta tarefa “simples” em muitos casos pode levar a danos ao equipamento que talvez a empresa que produziu não esteja disposta a arriscar, mesmo porque ao adotar o princípio de não atualizar o firmware estaria obrigando os usuários a adquirirem um novo modelo aumentado assim a receita da empresa.

Atualmente existem vários cases [11] em que demonstra-se a viabilidade de migração imediata do protocolo IPv4 para o IPv6, usando recursos como pilha dupla, de técnicas de tunelamento como 6to4, ISATAP e Teredo, bem como os mecanismos de tradução de endereços como o NAT-P[12]. Mas ao que parece, enquanto os provedores de acesso não derem sinal verde, informando que já possuem condições de rotear nativamente este protocolo sem necessidade de “gambiarras”, parece o IPv6 continuará como está até os últimos momentos.

Referências

[1] NetworkWorld – http://www.networkworld.com/news/2009/032509-google-ipv6-easy.html?hpg1=bn
[2] Comitê Gestor da Internet no Brasil – http://www.cgi.br/
[3] Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil – http://www.ipv6.br/IPV6/MenuIPV6Noticias
[4] Slashdot – http://tech.slashdot.org/article.pl?sid=09/03/26/1753259
[5] RFCs que regem o funcionamento do protocolo IPv6 – http://www.ipv6.br/IPV6/ArtigoRfcIPv6
[6] Entenda o Esgotamento do IP4 – http://www.ipv6.br/IPV6/ArtigoEsgotamentoIPv4
[7] IPV6.BR – http://www.ipv6.br/IPV6/MenuIPV6Introducao
[8] Habilitando IPv6 em sistemas operacionais – http://www.ipv6.br/IPV6/ArtigoHabilitandoIPv6SO
[9] Global IPv6 Summit 2008 Taipei – http://www.ipv6.org.tw/summit2008/doc/1-4-4.pdf
[10] Modelo de camadas OSI – http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_OSI
[11] Estudos de caso – http://www.ipv6.br/IPV6/MenuIPV6EstudosDeCaso
[12] Técnicas de transição – http://www.ipv6.br/IPV6/ArtigoTecnicasTransicao

Um comentário em “Engenheiros da Google dizem que implantar o IPv6 é fácil e barato”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.