Um em cada dez discos adquiridos de segunda mão contém informações pessoais

Se as pessoas “comuns” tivessem a real noção de como funciona um disco rígido elas jamais se desfariam de seus equipamentos com os discos. Recuperar arquivos de discos considerados destruídos é mais fácil do que parece. Faço questão de compartilhar com os nobres leitores um  artigo da Zeljka Zorz, publicado na Net Security, que li esta semana e que aponta para uma pesquisa a respeito deste assunto. Para quem não tem domínio de língua inglesa, em resumo, o que o autor diz é que baseado no resultado de uma pesquisa realizada no Reino Unido com um conjunto de 200 discos rígidos, 20 pendrives e 20 telefones celulares, comprados pela empresa, ao menos 11% continham dados pessoais (fotos de família, e-mails, textos, planilhas, dados bancários etc) e 37% continham dados não pessoais (informações empresariais, por exemplo).

Ilude-se quem acha que um disco rígido formatado está imune dos olhos dos bisbilhoteiros, como dito no artigo há ferramentas gratuitas que podem ser baixadas livremente na Internet para recuperar arquivos. As minhas preferidas são o PhotoRecover e o TestDisk que já me ajudaram a recuperar dados após algumas formatações indevidas.

Ao se desfazer de um disco você não precisa fazer como o Google que destrói as mídias para evitar vazamento de informações (o que você quer ver está por volta dos 3:35 do vídeo, mas assista-o todo. É bacana). Se você tiver o hábito de manter seus dados encriptados, você poderá descartar seu disco despreocupadamente, até mesmo sem formatar, visto que a pessoa quem receber o disco não conseguirá ler um arquivo sequer sem ter a sua senha. Minha ferramenta favorita para encriptar meus dados é o Truecrypt, utilitário que já comentei várias vezes aqui, e que pode ser usada tanto no Windows, quanto no Linux e Mac OS X, mas existem outras alternativas também, como a encriptação nativa do Windows e nas últimas versões do Linux Ubuntu.

Quem não quer/pode usar criptografia em seu sistema é importante lembrar que antes de descartar um disco ele deve sofrer um processo de “wipe” que consiste em sobrescrever os dados com informações sem valor. Para isso não adianta abrir todos os seus arquivos manualmente e alterar o conteúdo, porque além de ser um trabalho gigantesco, na verdade ao alterar o conteúdo de um arquivo, ou apenas apagar seu conteúdo, e salvá-lo não garante que os novos dados serão escritos sobre os dados antigos que se espera destruir. É preciso usar ferramentas especificas para isso.  No Linux há inúmeras ferramentas para este propósito, sendo as ferramentas “wipe” e “nautilus-wipe” as que encontram-se disponíveis nos repositórios oficiais do Ubuntu 12.04.

Por fim, este assunto já foi dito e escrito muitas vezes por ai, então se este assunto o interessou dê uma lida neste outro artigo do Tecmundo, sobre o mesmo assunto, onde há outras dicas e ferramentas interessantes para que você não acabe dando ao seu vizinho um HD velho de onde ele poderá recuperar fotos e dados bancários que você não queria que ele visse.

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