L.E.R., D.O.R.T., L.T.C. e Tendinite x Profissionais de TI

A guerra das letrinhas contra nós, pobres profissionais de TI, é uma batalha que ainda não tem um fim previsto. E ao que parece nem tão cedo terá.

A LER (Lesão por Esforço Repetitivo), LTC (Lesão por Trauma Cumulativo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho – como é conhecida modernamente) e a tendinite são duas doenças sérias que a cada dia afetam mais e mais pessoas. Ainda que não seja de forma silenciosa o ritmo frenético do nosso dia a dia nos faz ignorar os avisos que nosso organismo dá informando-nos que devemos aliviar os esforços sobre nossos tendões e articulações.

Infelizmente nós, profissionais de TI em geral, estamos condenados a esse mal e se não nos cuidarmos bem cedo a situação pode se tornar irremediável. Apesar de existir inúmeros artigos em sites especializados pela Internet mostrando dicas e conselhos sobre isso, nós costumamos passar longe deles e o final não é muito bom para nós.

De uns anos pra cá eu comecei a sentir estas dores e passei a fazer o que todo mundo faz – ignorar. O resultado não foi dos melhores e quando eu resolvi procurar ajuda médica já era tarde. Fui recomendado a tomar uns anti-inflamatórios por um tempo o que fez as dores desaparecerem por um tempo mas depois retornaram. Foi ai que resolvi tomar umas atitudes radicais.

Prevenindo a DORT com medidas simples

A primeira coisa a fazer é dar um tempo a você mesmo. Aqui no meu computador – do trabalho e de casa – eu ativei o recurso de bloqueio do computador. E com isso, a cada 60 minutos de trabalho eu sou obrigado a parar por pelo menos 5 minutos, pois o teclado fica completamente bloqueado.

Ativando a trava de teclado no Gnome

No Gnome é moleza fazer isso. No menu “Sistema” vá até “Preferências” e escolha a opção “Teclado”. Na tela de preferências do teclado escolha a ficha de “Intervalo de digitação” (vide a imagem).

Intervalo de Digitação

Ajuste o intervalo ao seu gosto. Como já disse eu defini o intervalo de trabalho como 60 minutos (1 horas) e o repouso de 5 minutos. Isso significa que se eu usar o teclado por 1 hora direto o teclado e o vídeo serão bloqueados com uma tela mandando me fazer repouso e só sairá de lá após os cinco minutos. O legal é que se por algum motivo eu me ausentar do computador por um período maior que este intervalo o contador será reiniciado considerando que você já fez uma pausa.

Entretanto segue um aviso: Cuidado com o botão “Adiar Intervalo”. Quando a tela fica bloqueada, surge um tentador botão com este nome no seu rodapé e então basta clicar uma vez ali para ficar viciado e assim levar todo o seu plano por água a baixo e nunca mais você deixará de clicá-lo.

Antes que você pegue esse péssimo vício desmarque a opção “Permitir Adiamento de Intervalo” pois do contrário, mais cedo do que você pensa, vai descobrir que o “caminho para o inferno” é resumido a um simples “ALT+A”.

E pra Windows?

Não sei se no Windows tem um recurso desse mas é possível instalar uns programinhas extras pra isso. Por exemplo, o Workrave que é muito mais bonitinho, além de estar disponível gratuitamente (sob a licença GPL) para Windows, Linux e alguns sabores de Unix – tal como o Solaris e durante a pausa exibe alguns exercícios a serem feitos para aliviar as dores.

Screenshot do sotware Workrave mostrando exercícios de alongamento

Medidas mais radicais

É notório que o teclado foi a pior invenção da tecnologia desde a invenção da roda (exagerado, né? Mas se não fosse por ele esse artigo não seria escrito 😉 ).

Também é notório que o layout dos nossos teclados são ultrapassados e nada funcionais. A disposição de teclas conhecida como QWERTY remonta os anos de 1868 e anos seguintes, quando tal disposição foi empregada nas arcaicas máquinas de datilografia. A idéia era dificultar a digitação para que as teclas não travassem.

O mundo evoluiu, as máquinas datilográficas se aposentaram e começaram a surgir teclados macios e que permitiam agilizar a digitação, mas o layout das teclas permaneceu o mesmo até surgir a versão conhecida como DVORAK, com uma filosofia e disposição de teclas diferentes.

Este Layout tem uma série de vantagens porém não é 100% para o nosso Português. Foi ai que uns camaradas brasileiros e preocupado com as suas saúdes – e por tabela e de todos nós – resolveram fazer um trabalho legal em cima da idéia dos designers August Dvorak e William Dealey. Para encurtar a história o resultado pode ser visto no site Teclado Brasileiro.

A princípio a ideia parece loucura. Depois de anos usando o mesmo layout, mudar derrepente pode parecer uma heresia, mas não é. E o melhor é que realmente funciona. Sempre aparece um indivíduo dando pra trás que não vale a pena, que empresa alguma toparia produzir teclados assim etc mas a realidade é que tem muita gente boa usando esse layout (eu inclusive) e mudar o seu teclado para este layout mais confortável não requer nem um centavo já que tudo feito via software adicionando mais uma mapa de teclados no seu sistema.

Eu resolvi arriscar e não me arrependo. Mas confesso que os meus primeiros minutos foram agonizantes e me deu vontade de voltar atrás pois tive que readaptar o cérebro as novas posições de cada tecla. Depois de alguns dias digitando alguns pequenos textos e teclando sequências, como as do curso de digitação eu comecei a me sentir mais confortável.

Agora já tem mais de um mês que estou usando este layout e estou satisfeito. Já adquiri uma boa velocidade de digitação e acho que poderia melhorar mais entretanto me dou por satisfeito uma vez que os dedos cansam menos devido a passearem menos sobre o teclado.

O melhor é que você não precisa temer o fato de todo mundo estar com outro teclado, quando você se assentar diante de um teclado QWERTY novamente, o seu cérebro se auto-reprograma e você o usa como nunca tivesse mudado de teclado.

Como fazer?

O procedimento é simples e funciona tanto no Linux quanto no Windows. No Linux estou usando o Ubuntu Gutsy (7.10) sem problemas mas se você pretende fazer uma mudança, vale algumas dicas:

  • Faça num período de pouco trabalho (eu fiz em casa no período de férias)
  • Dedique um tempo para praticar sequências de teclas (como as do curso de digitação) – Existe inclusive alguns programas com exercícios para este layout.
  • Não desista logo na primeira vez que vier a mente perguntas como “Onde está o Y?”
  • De um tempo pra você mesmo. Lembre-se que este artigo comenta exatamente sobre isso.
  • Mantenha um teclado QWERTY por perto (nunca se sabe quando vai ser) mas ao atualizar alguns pacotes no Ubuntu vez por outra eu precisei dele.
  • Divulgue pra todo mundo que seu teclado é diferente e você é feliz por isso.

Tá, você me convenceu. E ai, como instalar?

Vá no site do projeto, leia com calma a seção como instalar e divirta-se. Só não esqueça de desligar o teclado (ou todo o micro) antes de começar a arrancar as teclas. O procedimento não é dos mais difíceis ficando a parte trabalhosa apenas para a reorganização das teclas.

E não esqueça também de se inscrever no fórum para sanar as dúvidas que venham a surgir.

5 comentários em “L.E.R., D.O.R.T., L.T.C. e Tendinite x Profissionais de TI”

  1. Oi Dalva,

    procure um reumatologista, embora o problema não seja reumatológico ele avaliará o seu caso e poderá verificar se não há outras complicações, e havendo necessidade ele o encaminhará a um fisioterapeuta.

  2. Tenho tendinite a +ou- 10 anos adquiri na fabrica do boticário no PR na epoca me encostei pelo inss e logo que voltei a trabalhar não aguentei e pedi demissão, agora tanto tempo depois este fantasma voltou com força total tenho médico já esta semana, será que desta vez terei que fazer cirurgia?

  3. Oi Karla,

    Minha “praia” é tecnologia e não saúde e uma das verdades que se segue nesta área é que não precisamos saber tudo mas sim, saber como encontrar as informações que precisamos.

    O que eu quero dizer com isso é que se o seu médico após avalia-la, recomendar a cirurgia, então confie nele. Ele estudou para isso e sabe o que está dizendo.

    Claro que o termo cirurgia assusta qualquer um, então se preferir consulte a opinião de um ou dois outros especialistas. Caso o(s) outro(s) sugira(m) outra solução, não significa que o primeiro estava errado, mas sim que existem vários caminhos para se chegar ao mesmo lugar.

    Boa sorte na sua consulta. E saúde.

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